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Os pedidos subiram 34,8% e o ticket caiu 13,3%: o semestre que vendeu mais e rendeu menos por venda
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Os pedidos subiram 34,8% e o ticket caiu 13,3%: o semestre que vendeu mais e rendeu menos por venda

Resposta rápida

O e-commerce faturou R$ 208,4 bilhões no semestre. Mas os pedidos cresceram o dobro da receita, e quase todo custo de loja é por pedido, não por real vendido.

RC
Roberto Calderonpublicado 08/08/2026 · 3 min de leitura

O e-commerce brasileiro movimentou R$ 208,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 16,9%. Mas o número de pedidos cresceu 34,8%, muito mais rápido que a receita, e o ticket médio caiu 13,3%, para R$ 275,50. Os itens por compra caíram de 2,25 para 1,97. Na prática: o custo por pedido da sua loja continua o mesmo, e a receita que cada pedido traz encolheu.

O relatório da Confi, dona da Neotrust, em parceria com o E-Commerce Brasil, mostra um semestre de crescimento: R$ 208,4 bilhões, 16,9% acima do mesmo período de 2025. Foi assim que a maior parte do mercado noticiou.

Só que tem três números no mesmo relatório que contam outra história quando você os lê juntos:

  1º semestre 2026 variação
Receita R$ 208,4 bi +16,9%
Pedidos 756,7 milhões +34,8%
Ticket médio R$ 275,50 -13,3%
Itens por compra 1,97 de 2,25

Os pedidos cresceram o dobro da receita. Isso só é possível de um jeito: cada compra ficou menor. E ela ficou menor por duas vias ao mesmo tempo, preço e quantidade, porque o carrinho médio perdeu quase um terço de item.

O que a gente acha

O mercado leu isso como “brasileiro comprando mais vezes”, e não está errado. Mas pra quem tem loja, o recado é o oposto do que a manchete sugere.

Pensa no que custa um pedido na sua operação. Você paga a taxa do meio de pagamento, que tem uma parte fixa por transação. Paga o frete, que quase não muda entre um carrinho de R$ 200 e um de R$ 300. Paga embalagem, paga a etiqueta, paga o tempo de quem separa e despacha. Paga o atendimento, se a pessoa perguntar alguma coisa. Quase tudo isso é custo por pedido, não custo por real vendido.

Agora junte: o número de pedidos subiu 34,8%, então esse custo subiu junto. A receita que cada pedido traz caiu 13,3%. Você está trabalhando um terço a mais para faturar 17% a mais. Quem não olhou essa conta pode estar comemorando um crescimento que apertou a margem.

E o dado dos itens por compra é o mais acionável dos quatro. Cair de 2,25 para 1,97 significa que o carrinho perdeu quase um item inteiro. É exatamente o lugar onde loja própria tem vantagem sobre marketplace: você controla a vitrine, o combo, o frete grátis a partir de um valor e o que aparece depois que a pessoa põe o primeiro produto no carrinho. No marketplace, quem decide isso é o marketplace.

A pergunta prática

Você sabe qual é o seu ticket médio dos últimos 6 meses e para onde ele está indo? E sabe quanto custa, na sua operação, processar um pedido do clique até a postagem? Sem esses dois números, crescer em pedido pode estar te custando dinheiro sem que apareça em lugar nenhum.

Fonte: Confi (Neotrust), relatório “Da Compra à Confiança”, em parceria com o E-Commerce Brasil, divulgado em 28/07/2026.

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